quarta-feira, agosto 30, 2006

Pontapé na Cona

'Saem 3 na cona!', gritava a tia Alice por trás do balcão do bar Arroz Doce, ao Bairro Alto em Lisboa. E ainda grita, penso eu, cada vez que lhe pedem a dita bebida constituída por cerveja, café e o ingrediente X... na verdade nunca me interessou muito o sabor daquilo, nem sei se é mesmo cerveja e café, gostava mesmo era do som da frase que, de tão repetida, quase tinha perdido a graça. Quase. Mas não era do Bairro Alto que queria falar (mesmo já tendo saudades, confesso, do tempo em que me perdia todo o santo fim de semana naquelas vielas cheias de gente primeiro chunga e mais tarde fashion), nem sequer do imaginário sexual feminino, mas sim de outro pontapé. Desta feita, o bar Pont'a Pé em Aljezur.
O bar é um espetáculo - uma cave com 400 anos, com ares de ter sido um calabouço onde prisioneiros eram torturados ou qualquer história macabra do género. Bom, na realidade penso que seria uma prosaica cavalariça ou assim, mas tem mais piada pensar o primeiro. Do pé direito baixo às argolas na parede, dos recantos escondidos à esplanada, da pedra das paredes à vibração da Costa Vicentina, o Pont'a Pé é mesmo um local obrigatório para quem vai a Aljezur.
Daí o meu contentamento de juntar o útil ao agradável - alto place e alto sonoro (não vou ser falsamente modesto, se eu não achasse que o som que passo é bom, deixava-me disto e dedicava-me, sei lá, à Biologia...). E então de barriguinha cheia com um belo bife da vazia servido no restaurante Pont'a Pé (no piso de cima do bar, pois claro) sigo com um sorriso nos lábios para mais uma session de freestyle DJing.
Começou com belo funk-disco-house-sei-lá para aquecer a pista, e passou gradualmente para paisagens sonoras orientais onde as meninas gostam habitualmente de se mover. Daí até ao drum'n'bossa foi um pulinho e foi também o ponto alto da noite - o pessoal gostou muito daqueles sons de usura pouco comum naquela casa. Tudo bem até aqui, eram 2 da manhã, a pista estava composta, grande vibração no ar e muita brasileirada para abanar a bundinha. A pouco e pouco o som foi-se tornando mais 'hard', mais para terrenos drum'n'bass britânicos mas nunca deixando de ter aquele ritmo dançante. E gradualmente também o público foi mudando, começando a chegar o people 'da night' (nesta caso, gente já embriagada e sem postura). Não seria um problema se não me viessem chagar o juízo, particularmente um cromo de Lisboa, menino da linha provavelmente, q não deixava de pegar no meu pé com frases emblemáticas do tipo 'ói, n tens aí um trancezinho' ou 'mete aí um house, q a minha namorada só gosta de house'. Pá, isto são frases de roto.
A tortura continuou (lembram-se lá em cima de eu ter falado na sala das torturas? pois aí têm) até q tive de dizer 'Qual foi a parte que não percebeste?' e por fim o Tico juntou-se com o Teco, fez-se luz naquela cabecinha e pôs-se a milhas.
Eu compreendo que as pessoas quando ouvem algo que não estão habituadas estranhem, e ainda mais quem não está atento ao mundo da música e só leva com o comercial. Mas abram essas cabecinhas aos ventos de mudança e por favor lembrem-se deste ditado anglófono: ENGAGE BRAIN BEFORE STARTING MOUTH. Chiça! Quase que estragava a noite. Minto, não esteve nem perto, mas incomodou um pouco.
Bem, a noite acabou bem, o surf no dia seguite foi pacífico e principalmente rejuvenescedor, e ficou em aberto uma próxima session.
Obrigado à gerência do pontapé e até à próxima!

1 Comments:

Anonymous Nuno said...

boas

tenho um tasco aberto

só cenas ordinárias

e gostava de vender pontapés nas conas todos os dias, e não me estou a ver a comprar gajas só pra levar pontapés na cona.

assim como assim num me sabes dizer a receita dessa coisa que se dá pelo nome fabulástico de PONTAPÉ NA CONA

23:57  

Enviar um comentário

<< Home